segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A democracia racial

Para certos intelectuais e boa parte das elites dominantes, o Brasil é uma democracia racial, pois aqui convivem em pé de igualdade brancos, índios, mestiços, negros, orientais, etc. No entanto, varias pesquisas têm negado essa pretensão.
Uma delas mostra que o município de São Paulo tinha, em 1950,10,22% de não brancos; outra, de 1967, constatou que 39% da população marginal da grande São Paulo era formada por negros e mulatos. O censo de 1950 registra 0,95% de negros empregados; o de 1980, só 0,4%. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) de 1976 detectou, entre os maiores de 5 anos, 22% de analfabetos entre os brancos e 40% entre os não brancos.
Mesmo alardeando a “democracia racial” brasileira, há registros de manifestações racistas ao longo da nossa história.
Em 1880, Sílvio Romero dizia que a vitória na luta pela vida, entre nós, pertencerá, no porvir, ao branco.
Em 1920 0 Governo Federal proibia a participação de negros na seleção de futebol do Brasil.
O deputado Federal Carvalho Neto afirmou em 1923: o negro no Brasil desaparecerá em menos de 70 anos.
Afrânio Peixoto (escritor) declarou em 1930: em 200 anos desaparecerá o eclipse negro.
Em decreto sobre a imigração, datada de 1945, Getúlio Vargas defendeu a necessidade de desenvolver na composição étnica do país as características mais convenientes de sua ascendência européia.
Em um livro de divulgação no Brasil, editado pelo Ministério das Relações Exteriores em 1966, está escrito que a população é branca, sendo diminuta a porcentagem de pessoas de sangue misto.
Mas o preconceito de raça e cor não atinge apenas o topo da pirâmide racial. Pesquisa realizada pela Folha de São Paulo em 1984 revelou que 60,9% dos paulistanos de todas as classes conheciam pessoas e instituições que discriminavam o negro.

Fonte: Novo Manual, Nova Cultura Geografia, de José Herculano da Silva e Ricardo Gurgel Azzi.

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